Riscos dos anabolizantes no fisiculturismo
Riscos dos anabolizantes no fisiculturismo: Riscos dos anabolizantes no fisiculturismo que podem até resultados, mas também trazer riscos à saúde. Entenda os perigos e conheça o fisiculturismo natural. Nas redes sociais, o fisiculturismo costuma ser apresentado pelo resultado final: músculos volumosos, baixo percentual de gordura, definição e transformações físicas impressionantes. O problema é que uma fotografia mostra o corpo, mas não necessariamente mostra o que foi necessário para construí-lo. Exames alterados, medicamentos, acompanhamento médico e possíveis consequências do uso de substâncias para aumento de performance raramente recebem a mesma exposição que o resultado estético. Esse foi um dos assuntos discutidos no Conexão Saúde, que recebeu o treinador de fisiculturismo natural Gabriel Merlin para conversar sobre musculação, alta performance, saúde e os riscos dos anabolizantes no fisiculturismo. Do bullying ao fisiculturismo Gabriel começou a praticar musculação aos 15 anos, após sofrer bullying por estar acima do peso. A atividade física teve impacto importante em sua autoestima e confiança. Com o passar dos anos, essa experiência pessoal também influenciou sua escolha profissional, levando-o para a Educação Física e, posteriormente, para o treinamento de fisiculturistas. Atualmente, seu trabalho é direcionado exclusivamente para atletas naturais, que buscam desenvolver seus físicos e competir sem a utilização de medicamentos para aumento de performance. Sua trajetória ajuda a mostrar que o fisiculturismo não precisa necessariamente estar associado ao uso de anabolizantes. O que o Instagram não mostra sobre o fisiculturismo? Uma das principais reflexões da entrevista está justamente na diferença entre aquilo que aparece nas redes sociais e o que acontece nos bastidores. O público vê: músculos; definição; vascularização; baixo percentual de gordura; evolução física; troféus e competições. Mas dificilmente uma fotografia permite saber quais estratégias foram utilizadas para chegar àquele resultado. Gabriel chama atenção especialmente para a influência que atletas e criadores de conteúdo podem exercer sobre adolescentes. Corpos extremamente desenvolvidos podem passar a impressão de que aquele resultado é facilmente alcançável — ou que determinados recursos são necessários para conquistá-lo. O problema aumenta quando os benefícios estéticos do uso de substâncias são apresentados sem que os possíveis efeitos adversos recebam a mesma atenção. Riscos dos anabolizantes no fisiculturismo: quais são os principais? Os esteroides anabolizantes possuem aplicações médicas específicas. O problema discutido aqui é o uso não médico dessas substâncias com finalidade estética ou de aumento de performance, especialmente quando realizado sem acompanhamento adequado. Durante a entrevista, Gabriel resume sua preocupação em uma frase: “Ninguém fala que está tendo que ir no cardiologista tomar remédio para o coração com 18 anos.” A declaração chama atenção para uma questão importante: o resultado estético não permite avaliar a saúde de uma pessoa. O uso inadequado de esteroides anabolizantes pode estar associado a diferentes consequências para o organismo, e os riscos variam conforme substância, dose, duração, combinações utilizadas e características individuais. Entre os possíveis efeitos estão alterações cardiovasculares, hormonais, hepáticas, metabólicas e psicológicas. Esses são alguns dos riscos dos anabolizantes. Anabolizantes podem prejudicar o coração? O sistema cardiovascular merece atenção especial. O uso não médico de esteroides anabolizantes pode estar associado a alterações como: aumento da pressão arterial; alterações no colesterol e no perfil lipídico; alterações estruturais e funcionais do coração; maior predisposição a determinados problemas cardiovasculares; alterações na coagulação e nos vasos sanguíneos. Isso significa que possuir grande quantidade de massa muscular ou baixo percentual de gordura não é sinônimo de saúde cardiovascular. Uma pessoa pode apresentar uma aparência extremamente atlética e, simultaneamente, possuir fatores de risco que não são visíveis externamente. O perigo da influência sobre adolescentes Talvez esse seja um dos pontos mais preocupantes levantados durante a conversa. As redes sociais permitem que adolescentes tenham contato diário com físicos extremamente desenvolvidos. Quando não existe transparência sobre como esses resultados foram alcançados, surge uma comparação potencialmente injusta. Um jovem pode acreditar que precisa atingir rapidamente determinado padrão corporal e procurar atalhos para acelerar sua evolução. Gabriel relata a existência de adolescentes iniciando o uso de hormônios ainda muito jovens, influenciados pelo desejo de construir rapidamente um físico semelhante ao observado nas redes sociais. Nesse contexto, educação e informação tornam-se fundamentais. Antes de pensar em recursos farmacológicos, adolescentes e iniciantes precisam compreender o potencial de evolução proporcionado por treinamento, alimentação, recuperação e consistência ao longo dos anos. Acelerar a velocidade muitas vezes escondem os riscos dos anabolizantes que muitas pessoas não contam. O que é fisiculturismo natural? O fisiculturismo natural busca desenvolver ao máximo características como massa muscular, definição, proporção e simetria sem recorrer às substâncias proibidas pelas organizações responsáveis pelas competições naturais. Existem campeonatos específicos que utilizam protocolos de controle e testagem de atletas. Gabriel trabalha justamente com competidores dessa modalidade. O objetivo continua sendo construir um físico de alto nível, mas o processo apresenta diferenças importantes. Fisiculturismo natural x hormonizado: qual é a diferença? Uma das principais diferenças destacadas por Gabriel é o tempo necessário para evolução. Substâncias utilizadas para aumento de performance podem modificar a capacidade de recuperação e potencializar adaptações relacionadas ao ganho de massa muscular. O atleta natural depende integralmente das adaptações proporcionadas pelo próprio organismo. Isso torna ainda mais importantes quatro pilares: treinamento + alimentação + recuperação + tempo. No fisiculturismo natural, grandes transformações físicas normalmente são construídas ao longo de anos. E isso também transmite uma mensagem importante para quem está começando na musculação: não existe necessidade de transformar alguns meses de treinamento em uma corrida contra o relógio. É possível construir um físico impressionante naturalmente? Sim, embora existam limites individuais determinados por fatores como genética, idade, sexo, histórico de treinamento, alimentação e recuperação. O fisiculturismo natural demonstra que é possível desenvolver: massa muscular; definição; força; proporção; simetria; condicionamento físico. Entretanto, comparar a velocidade de evolução de um atleta natural com a de alguém que utiliza substâncias para aumento de performance pode gerar expectativas irreais. Cada processo precisa ser analisado dentro do seu contexto. Musculação e fisiculturismo não são o problema É importante fazer essa distinção. A musculação, quando adequadamente orientada, pode fazer parte de uma estratégia de promoção da saúde, manutenção da capacidade funcional, aumento de força e
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