Nenhuma dor se cura com desuso? O que a ciência diz sobre movimento em 8 passos

Nenhuma dor se cura com desuso? O que a ciência diz sobre movimento, força e recuperação Se você treina, mas não consegue evoluir como gostaria, o problema pode estar na falta de direção. Um bom planejamento precisa considerar seu objetivo, condicionamento e rotina. Para isso, conhecimento e acompanhamento profissional são fundamentais. Comece pelo E-book Guia da Musculação, por apenas R$ 15 um material prático e acessível para iniciantes e intermediários compreenderem os princípios do treinamento físico. Para um acompanhamento individualizado, conheça minha Consultoria Fitness Online, com estratégias de treino, ajustes e direcionamento conforme sua realidade. -> Acesse Bernardo Stern Oficial E acompanhe o Conexão Saúde, com conteúdos sobre musculação, qualidade de vida , bem-estar, saúde ,performance, recuperação e prevenção. -> Confira a playlist completa no YouTube Seu próximo passo pode começar agora. Fale comigo pelo WhatsApp e vamos construir um plano para levar seu corpo e sua mente ao próximo nível.

Nenhuma dor se cura com desuso? O que a ciência diz sobre movimento, força e recuperação

Sentir dor é um dos principais motivos que levam uma pessoa a interromper a prática de exercícios. Afinal, se alguma coisa está doendo, parece lógico parar de utilizá-la até que o desconforto desapareça.

Mas será que ficar parado é sempre a melhor estratégia?

Durante uma entrevista no especial do Conexão Saúde, realizado no Encontro Nacional de Musculação, em Porto Alegre, o professor e especialista em treinamento Gustavo Zorzi trouxe uma afirmação que merece reflexão:

“Nenhuma lesão, nenhuma dor se cura com o desuso.”

A frase aborda uma questão importante: em muitos casos de dor musculoesquelética, especialmente persistente, abandonar completamente o movimento pode não ser a melhor solução.

Isso não significa ignorar a dor, mas compreender que exercícios, fortalecimento e progressão adequada de cargas podem fazer parte da recuperação.

1. Sentir dor significa que estamos causando uma lesão?

Nem sempre.

A dor é uma experiência complexa, influenciada por fatores físicos e também por sono, estresse, experiências anteriores e medo de se movimentar.

Em determinadas condições, evitar completamente os movimentos pode aumentar a insegurança e contribuir para a perda de capacidade física.

Uma revisão sistemática publicada em 2022 no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy encontrou evidências de que a terapia por exercícios pode reduzir a dor provocada pelo movimento em adultos com problemas musculoesqueléticos.

Portanto, movimentar-se não significa necessariamente agravar uma lesão. Em algumas situações, o movimento faz parte do próprio tratamento.

2. Devemos continuar treinando mesmo sentindo dor?

Não necessariamente.

A ciência não sustenta a ideia de que qualquer pessoa com dor deva continuar treinando normalmente.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025 comparou exercícios realizados com e sem dor em pessoas com dor musculoesquelética crônica.

Os pesquisadores não encontraram diferenças claras nos resultados de dor e incapacidade entre as duas abordagens, embora a certeza das evidências tenha sido baixa ou muito baixa.

Isso significa que sentir algum desconforto durante determinados exercícios não representa automaticamente um dano. Entretanto, provocar dor também não é necessário para obter resultados.

A decisão depende do diagnóstico, da intensidade dos sintomas, da capacidade física e da resposta individual ao treinamento.

3. O problema do repouso prolongado

Descansar pode ser necessário, especialmente em determinadas lesões ou fases de recuperação.

O problema surge quando o repouso se transforma na única estratégia.

A redução prolongada da atividade física pode provocar perda de força, condicionamento e confiança para realizar movimentos cotidianos.

Por isso, diretrizes como as do NICE recomendam, em casos de dor lombar, a manutenção das atividades normais dentro das possibilidades individuais.

A Organização Mundial da Saúde também considera programas estruturados de exercícios uma opção para pessoas com dor lombar crônica primária, embora ressalte a necessidade de individualização.

A mensagem é simples:

Não confunda recuperação com imobilidade permanente.

4. O papel da musculação e do fortalecimento

Durante a entrevista, Gustavo Zorzi destacou a importância da capacidade muscular, especialmente em pessoas que apresentam problemas nos joelhos e desenvolvem receio de realizar determinadas atividades.

Um corpo preparado para determinada demanda tende a lidar melhor com ela do que um corpo que perdeu capacidade por falta de estímulo.

Isso não significa que a musculação resolva todas as dores. Entretanto, o treinamento de força pode ser uma ferramenta importante quando corretamente indicado.

As diretrizes do American College of Rheumatology e da Arthritis Foundation recomendam fortemente exercícios para pessoas com osteoartrite de joelho e quadril.

Entre as possibilidades estão:

  • Caminhada;
  • Exercícios de fortalecimento;
  • Treinamento neuromuscular;
  • Exercícios aquáticos.

Nenhuma modalidade é universalmente superior. A escolha depende das condições e necessidades individuais.

5. Carga não é necessariamente inimiga

Depois de uma lesão, muitas pessoas passam a enxergar qualquer sobrecarga como uma ameaça.

Entretanto, o organismo também precisa de estímulos para desenvolver força e capacidade funcional.

O segredo está na dose e na progressão.

Uma carga excessiva pode piorar os sintomas. Já uma carga adequadamente ajustada pode contribuir para a adaptação.

Por isso, antes de decidir se determinado exercício deve continuar, algumas perguntas são fundamentais:

  1. Qual é a intensidade da dor?
  2. Em quais movimentos ela aparece?
  3. Os sintomas estão melhorando ou piorando?
  4. Como o corpo responde nas horas seguintes?
  5. Qual carga a pessoa consegue tolerar?
  6. Existe algum sinal de alerta que exige avaliação profissional?

Essas informações ajudam a construir uma estratégia individualizada, em vez de adotar a lógica de que qualquer dor exige interromper todos os exercícios.

6. Movimento também recupera confiança

Uma lesão pode gerar medo de realizar novamente movimentos associados à dor.

Com o tempo, esse receio pode levar à redução progressiva das atividades e da autonomia.

Por isso, a recuperação não envolve apenas músculos e articulações. Também pode exigir a reconstrução da confiança no próprio corpo.

O NICE reconhece a importância dos fatores psicossociais na recuperação de pessoas com dor lombar persistente, incluindo o medo e a evitação de atividades.

Recuperar movimento também pode significar recuperar independência e qualidade de vida.

7. O exemplo da dor no joelho

Imagine alguém que sente dor no joelho durante a corrida.

A primeira reação pode ser abandonar definitivamente a atividade.

Entretanto, existem alternativas entre continuar correndo normalmente e nunca mais correr.

Dependendo da condição, pode ser necessário:

  • Reduzir temporariamente a distância;
  • Ajustar a frequência dos treinos;
  • Fortalecer a musculatura;
  • Controlar a progressão das cargas;
  • Utilizar atividades alternativas durante a recuperação.

Posteriormente, conforme a evolução, a corrida pode ser retomada gradualmente.

Essa é uma das principais mensagens da entrevista: não abandonar automaticamente o movimento, mas preparar o corpo para voltar a lidar com determinada demanda.

8. Desuso não é o mesmo que recuperação

Descansar, reduzir cargas ou modificar exercícios pode ser necessário.

Entretanto, essas estratégias não significam abandonar definitivamente a atividade física.

Em muitos quadros musculoesqueléticos, a recuperação envolve encontrar estímulos adequados e aumentar progressivamente a capacidade funcional.

É importante lembrar que cada condição exige uma abordagem específica. O que funciona para uma pessoa pode não ser apropriado para outra.

Conclusão: o que aprendemos no Conexão Saúde?

A afirmação de Gustavo Zorzi não deve ser interpretada como uma recomendação para ignorar a dor ou continuar treinando sem orientação.

O ponto principal é compreender que dor não deve significar automaticamente imobilidade.

Movimento, fortalecimento e progressão de cargas podem contribuir para recuperar capacidade física, confiança e autonomia.

A melhor interpretação da frase apresentada no programa talvez seja esta:

“Nenhuma dor se cura com desuso” não significa que toda dor deve ser ignorada. Significa que, em muitos casos, recuperar o movimento é parte fundamental do caminho para recuperar a função.

Se você apresenta dor persistente, sofreu uma lesão ou tem dúvidas sobre quais exercícios pode realizar, procure avaliação de um profissional qualificado.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento


Há mais de 20 anos, saúde e treinamento físico fazem parte do meu trabalho diário, ajudando pessoas a buscar emagrecimento, massa muscular, autoestima, disposição, qualidade de vida e melhor performance física e mental.

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