“Não gosto de musculação”: qual é o melhor exercício para você? Por Juliana Diehl
“Não gosto de musculação”: qual é o melhor exercício para você? Não gosta de musculação? Isso não significa que você precisa ser sedentário. Descubra como encontrar uma atividade física que combine com você. Não gostar de musculação não significa não gostar de exercício “Eu não gosto de musculação.” Para algumas pessoas, entrar em uma academia, utilizar máquinas, contar repetições e seguir uma sequência de exercícios é prazeroso. Para outras, pode ser monótono ou simplesmente não combinar com suas preferências. Durante uma conversa no programa Conexão Saúde, a personal trainer e acupunturista Juliana Diehl trouxe uma reflexão importante: quando alguém afirma que não gosta de musculação, a solução não deveria ser simplesmente obrigar essa pessoa a praticá-la. Antes disso, precisamos entender quem é essa pessoa, quais são seus objetivos, suas limitações e, principalmente, que tipo de movimento ela consegue incorporar à própria vida. Isso é especialmente relevante diante de um problema mundial: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 31% dos adultos — aproximadamente 1,8 bilhão de pessoas — não atingiram os níveis recomendados de atividade física em 2022. Mantida a tendência, a proporção pode chegar a 35% em 2030. Talvez, portanto, a pergunta não seja apenas: “Como fazer essa pessoa gostar de musculação?” Mas também: “Que atividade física ela conseguiria manter?” Afinal, qual é o melhor exercício? E se eu não gosto de musculação? A resposta depende da pessoa. Uma caminhada pode ser uma excelente porta de entrada para alguém sedentário. Outra pessoa pode preferir dança, natação, ciclismo, corrida, treinamento funcional, artes marciais, esportes coletivos ou musculação. Não precisamos transformar a escolha da atividade física em uma disputa entre modalidades. O melhor exercício não é necessariamente o mais completo no papel. É aquele que, além de adequado ao seu objetivo, você consegue praticar com segurança e consistência. A escolha precisa considerar condição física, idade, objetivos, histórico, limitações, rotina e preferências individuais. E, se não gosto de musculação? Ela é realmente importante? É importante. A OMS recomenda que adultos realizem entre 150 e 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou entre 75 e 150 minutos de atividade vigorosa, além de atividades de fortalecimento envolvendo os principais grupos musculares em pelo menos dois dias da semana. Mas existe uma diferença importante: fortalecimento muscular não é sinônimo obrigatório de academia tradicional. Dependendo da pessoa e do objetivo, o treinamento resistido pode ser realizado de diferentes maneiras. Portanto, a mensagem não é abandonar a musculação. É abandonar a ideia de que todas as pessoas precisam gostar exatamente da mesma modalidade para serem fisicamente ativas. Gostar do exercício pode ajudar você a continuar Conhecer os benefícios do exercício nem sempre é suficiente para criar o hábito. Existe também uma dimensão comportamental. O próprio material destaca evidências relacionando as respostas afetivas e o prazer experimentado durante o exercício à adesão à atividade física. A maneira como alguém se sente durante e depois da atividade pode influenciar sua disposição para continuar praticando. Isso ajuda a explicar por que alguém pode abandonar a academia repetidamente, mas conseguir manter uma caminhada, uma aula de dança ou um esporte com amigos durante anos. Talvez não seja simplesmente falta de disciplina. Talvez seja necessário encontrar uma estratégia mais compatível com aquela pessoa. Começar pequeno também é começar Outro erro comum é acreditar que uma mudança de vida precisa começar com um programa perfeito. Uma pessoa sedentária decide que irá treinar uma hora por dia, cinco vezes por semana. Poucos dias depois aparecem trabalho, compromissos, cansaço e dores. A rotina começa a falhar e logo é completamente abandonada. A própria OMS reforça que alguma atividade física é melhor do que nenhuma e recomenda que pessoas inativas comecem com pequenas quantidades, aumentando gradualmente frequência, intensidade e duração. Para alguém completamente sedentário, começar caminhando alguns minutos pode ser mais inteligente do que estabelecer imediatamente uma rotina incompatível com sua realidade. O objetivo inicial pode ser simplesmente construir consistência. Exercício é muito mais do que estética Outro ponto importante é desvincular atividade física exclusivamente de emagrecimento, hipertrofia ou aparência. Esses podem ser objetivos legítimos, mas representam apenas uma parte dos benefícios associados a uma vida fisicamente ativa. As diretrizes da OMS relacionam atividade física a benefícios envolvendo saúde cardiovascular, hipertensão, diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer, sintomas de ansiedade e depressão, cognição e sono. Talvez uma mudança interessante de pensamento seja trocar: “Preciso treinar para mudar meu corpo.” por: “Quero me movimentar para continuar capaz de viver bem.” Subir escadas, carregar compras, brincar com os filhos, levantar de uma cadeira, preservar força, equilíbrio e independência são resultados que dificilmente aparecem em uma fotografia, mas possuem enorme importância ao longo da vida. Exercício ideal x exercício sustentável Existe uma diferença importante entre esses dois conceitos. Um programa considerado ideal pode combinar exercícios aeróbicos, força, mobilidade, equilíbrio e outras capacidades. Mas existe também o exercício sustentável: aquele que consegue sobreviver à rotina real. Um programa pode ser excelente fisiologicamente, mas se a pessoa o abandona depois de duas semanas, sua efetividade prática será limitada. Por isso, consistência, progressão e individualização precisam caminhar juntas. Então, o que fazer se eu não gosto de musculação? Não gostar de musculação não deveria servir como justificativa para permanecer sedentário. Também não significa que você precise passar anos fazendo uma atividade que detesta. Experimente diferentes possibilidades. Caminhada, corrida, bicicleta, natação, dança, esportes, treinamento funcional, artes marciais, atividades coletivas ou ao ar livre podem representar portas de entrada diferentes para pessoas diferentes. E, quando houver necessidade de desenvolver força, o treinamento resistido pode ser adaptado às características, objetivos e limitações individuais. Conclusão: encontre uma atividade que você consiga repetir A mensagem não é escolher entre musculação e qualquer outra modalidade. É entender que não existe apenas uma maneira de colocar o corpo em movimento. Se você gosta de musculação, excelente. Se não gosta, isso não significa que esteja condenado ao sedentarismo. Como resumiu Juliana Diehl durante o Conexão Saúde, o principal é movimentar-se. Você não precisa começar perfeito, gostar de todas as modalidades ou seguir o treinamento de
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