Shiatsu: o que é, como funciona e quais são seus benefícios?
Entenda o que é o shiatsu, como a técnica é realizada, quais são seus possíveis benefícios, indicações e o que a ciência diz sobre essa terapia manual.
Pressões realizadas com os dedos e as mãos, alongamentos e diferentes formas de contato corporal fazem parte de uma prática que se desenvolveu no Japão e atualmente é encontrada em diversos países: o Shiatsu.
O nome é formado pelas palavras japonesas shi — dedo — e atsu — pressão. Mas resumir de uma simples “massagem com os dedos” deixa de fora parte importante de sua história e de seus princípios.
A técnica recebeu influência das tradições orientais de cuidado corporal e, em muitas escolas, utiliza conceitos relacionados aos meridianos da Medicina Tradicional Chinesa. Do ponto de vista científico, porém, é importante separar esses conceitos tradicionais dos efeitos fisiológicos que já foram efetivamente demonstrados. Uma revisão sistemática específica sobre Shiatsu encontrou poucos estudos e considerou as evidências insuficientes em quantidade e qualidade para conclusões firmes sobre seus efeitos clínicos. PubMed
1. O que é Shiatsu?
É uma terapia manual na qual o profissional aplica pressão em diferentes regiões do corpo utilizando principalmente dedos e mãos, podendo também empregar outras formas de contato, mobilizações e alongamentos.
Diferentemente de algumas massagens realizadas predominantemente com movimentos de deslizamento, o Shiatsu caracteriza-se bastante pela aplicação de pressões sustentadas e organizadas em determinados pontos e regiões corporais.
A intensidade deve ser ajustada às características e à tolerância de cada pessoa.
Isso é importante porque Shiatsu não deveria significar simplesmente “apertar forte”. Uma intervenção dolorosa não é necessariamente mais eficaz.
2. Shiatsu e Medicina Tradicional Chinesa
Apesar de ter se desenvolvido no Japão, muitas abordagens do Shiatsu foram influenciadas por conceitos tradicionais orientais.
Entre eles aparecem os chamados meridianos, descritos nos sistemas tradicionais como caminhos relacionados à circulação do Qi.
Essa explicação faz parte do modelo histórico e filosófico da prática.
Entretanto, não é adequado apresentar meridianos ou Qi como estruturas anatômicas comprovadas pela ciência moderna. Uma coisa é explicar como determinada tradição compreende a técnica; outra é afirmar que esse modelo representa um mecanismo fisiológico demonstrado.
Essa distinção permite respeitar a origem do Shiatsu sem transformar conceitos tradicionais em afirmações científicas.
3. Como é realizada uma sessão?
A forma de atendimento varia conforme a escola, o profissional e as necessidades da pessoa.
Antes de iniciar, é importante conhecer queixas, histórico de saúde, limitações, medicamentos, cirurgias e outras informações relevantes.
Durante uma sessão podem ser utilizadas:
- pressões com dedos e palmas;
- compressões em diferentes regiões;
- mobilizações articulares suaves;
- alongamentos;
- técnicas de relaxamento;
- diferentes ritmos e intensidades de pressão.
O objetivo pode variar entre relaxamento, bem-estar e abordagem complementar de determinados sintomas musculoesqueléticos.
4. Quais são os benefícios ?
Aqui é importante diferenciar benefícios relatados na prática de benefícios comprovados especificamente para Shiatsu.
Relaxamento, sensação de bem-estar e redução temporária de tensão ou desconforto estão entre os efeitos frequentemente procurados em terapias manuais.
Entretanto, quando analisamos especificamente a literatura científica ainda é limitada. Uma revisão sistemática que reuniu estudos de Shiatsu e acupressão encontrou apenas nove estudos específicos de Shiatsu e concluiu que a evidência disponível para essa modalidade era insuficiente em quantidade e qualidade. PubMed
A literatura mais ampla sobre massoterapia apresenta alguns resultados favoráveis para determinadas condições dolorosas, principalmente no curto prazo, mas a qualidade das evidências varia e não é possível assumir automaticamente que os resultados obtidos com qualquer modalidade de massagem sejam iguais aos do Shiatsu. NCCIH
Portanto, é mais correto dizer que o Shiatsu pode ser utilizado como uma prática complementar voltada ao relaxamento e ao bem-estar, enquanto seus efeitos terapêuticos específicos ainda precisam de estudos clínicos melhores.
5. Shiatsu pode ajudar nas dores musculares?
Possivelmente em alguns casos, mas essa afirmação exige cuidado.
A massagem e outras terapias manuais vêm sendo estudadas para dores lombares, cervicais, nos ombros e em outras condições. Alguns estudos demonstram melhora de curto prazo, mas as evidências frequentemente são classificadas como baixas ou inconsistentes. NCCIH
Além disso, dor é um sintoma, não um diagnóstico.
Uma dor muscular após esforço físico é completamente diferente de uma dor provocada por lesão, doença articular, compressão nervosa, processo inflamatório ou outra condição clínica.
Por isso, o Shiatsu não deve ser utilizado para mascarar sintomas persistentes sem que sua causa seja investigada.
6. Shiatsu ajuda no estresse e relaxamento?
Essa é provavelmente uma das razões mais comuns para procurar a técnica.
O contato corporal, o ambiente da sessão e as técnicas manuais podem favorecer uma experiência subjetiva de relaxamento.
Mas frases como “o Shiatsu elimina o estresse”, “equilibra os hormônios” ou “libera toxinas” vão além do que a evidência científica permite afirmar.
Também é inadequado prometer tratamento de ansiedade, depressão ou outras condições de saúde mental exclusivamente por meio de Shiatsu.
Ele pode integrar uma rotina de autocuidado para algumas pessoas, mas isso é diferente de substituir tratamentos indicados.
7. Existem contraindicações?
Embora massagens e terapias manuais apresentem baixo risco quando utilizadas adequadamente, não são completamente isentas de riscos. Há relatos raros de eventos importantes, especialmente associados a técnicas vigorosas ou pessoas mais vulneráveis. NCCIH
A técnica deve ser adaptada ou evitada em determinadas circunstâncias, especialmente diante de feridas, algumas lesões agudas, risco de sangramento, trombocitopenia ou uso de anticoagulantes quando estiverem previstas pressões intensas. Pessoas com condições clínicas específicas ou gestantes também podem necessitar avaliação e adaptações. NCCIH
Uma boa anamnese antes do atendimento é, portanto, fundamental.
8. Shiatsu substitui tratamento médico ou fisioterapêutico?
Não.
Esse talvez seja o ponto mais importante ao falar sobre terapias complementares.
O Shiatsu pode ser utilizado de maneira complementar, mas não deve substituir diagnóstico médico, fisioterapia, medicamentos ou outros tratamentos necessários.
Quando existe dor persistente, perda de força, alterações de sensibilidade, febre, edema importante, trauma ou sintomas sem explicação, investigar a causa deve ter prioridade sobre simplesmente tratar o desconforto.
Shiatsu: tradição e ciência podem ocupar espaços diferentes
É possível reconhecer o valor histórico e cultural do Shiatsu sem atribuir à técnica benefícios que ainda não foram demonstrados cientificamente.
Sua tradição utiliza conceitos próprios, como meridianos e Qi. A ciência moderna, por outro lado, procura compreender resultados clínicos mensuráveis e mecanismos fisiológicos por meio de estudos controlados.
Até o momento, a evidência específica sobre Shiatsu permanece limitada, embora pesquisas sobre massagens e terapias manuais indiquem possíveis benefícios de curto prazo para algumas condições dolorosas e para o bem-estar. PubMed
Isso não torna a prática “boa” ou “ruim”. Apenas define melhor o que podemos afirmar com segurança.
O Shiatsu pode proporcionar uma experiência de cuidado, contato corporal e relaxamento. Quando utilizado com responsabilidade, deve complementar — e não substituir — os cuidados de saúde necessários.
Referências
Robinson N, Lorenc A, Liao X. The evidence for Shiatsu: a systematic review of Shiatsu and acupressure. BMC Complementary and Alternative Medicine, 2011. PubMed
National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH). Massage Therapy: What You Need To Know. NCCIH
National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH). Chronic Pain and Complementary Health Approaches.
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