Pimenta: quais os benefícios em 6 passos?
Pimenta quais os benefícios em 6 passos: Entenda o que a ciência diz sobre capsaicina, metabolismo, saúde cardiovascular e controle do peso.
A pimenta é utilizada há séculos para dar sabor aos alimentos, mas seus efeitos vão além da ardência. Especialmente nas pimentas do gênero Capsicum, um dos compostos mais estudados é a capsaicina, responsável pela sensação picante característica de muitas variedades.
Os possíveis benefícios da pimenta vêm sendo investigados em áreas como metabolismo energético, controle do apetite, saúde cardiovascular e dor. Entretanto, alguns efeitos possuem evidências melhores do que outros — e comer pimenta não deve ser tratado como prevenção ou tratamento isolado de doenças.
Veja o que sabemos em 6 passos.
1. Pimenta: quais os benefícios: a capsaicina é um dos principais compostos estudados
A capsaicina interage com receptores conhecidos como TRPV1, envolvidos, entre outras funções, na percepção de calor e dor.
É justamente essa interação que produz a sensação de ardência quando comemos determinadas pimentas.
O interesse científico pela capsaicina aumentou porque a ativação dessas vias também pode influenciar processos fisiológicos relacionados ao gasto energético e metabolismo.
Isso não significa que quanto mais ardida a pimenta, maiores serão automaticamente seus benefícios. Variedade, quantidade consumida, concentração de capsaicinoides e características individuais influenciam a resposta.
2.Pimenta: quais os benefícios: pode aumentar discretamente o gasto energético
Um dos benefícios da pimenta mais divulgados é o possível efeito termogênico.
Existe fundamento para isso, mas a magnitude precisa ser colocada em perspectiva.
Uma revisão com meta-análises de estudos em humanos encontrou aumento do gasto energético e da oxidação de gordura com capsaicina e compostos relacionados. Os próprios pesquisadores, entretanto, destacam que a magnitude desses efeitos é pequena.
Portanto, pimenta não “derrete gordura” e não substitui déficit energético, alimentação adequada ou atividade física.
Ela pode ter um efeito metabólico modesto dentro de um contexto alimentar muito maior.
3. Pimenta: quais os benefícios: a capsaicina pode influenciar o apetite
A capsaicina também vem sendo investigada pela possível influência sobre saciedade e sensações relacionadas ao apetite.
A mesma revisão encontrou evidências de redução das sensações orexígenas — aquelas relacionadas à vontade de comer — embora novamente os efeitos observados sejam relativamente pequenos.
Isso significa que acrescentar pimenta às refeições pode fazer parte de uma estratégia alimentar para algumas pessoas, mas não deveria ser apresentada como um supressor natural de apetite capaz de produzir grande emagrecimento.
Pimenta pode participar da estratégia. Ela não substitui a estratégia.
4. Pimenta: quais os benefícios: pode existir relação com a saúde cardiovascular
Esse é um campo particularmente interessante.
Meta-análises de grandes estudos observacionais encontraram associação entre o consumo habitual de pimenta e menor mortalidade geral e cardiovascular. Uma delas reuniu quatro estudos prospectivos, com mais de 560 mil adultos, e encontrou associação com menor mortalidade geral e por doenças cardíacas.
Outra meta-análise encontrou resultados semelhantes para mortalidade geral e cardiovascular.
Mas existe uma diferença fundamental entre associação e causa.
Esses estudos não demonstram que comer pimenta diretamente evita infarto ou prolonga a vida. Pessoas que consomem pimenta podem diferir em diversos outros aspectos alimentares e comportamentais.
Portanto, os resultados são interessantes, mas não transformam a pimenta em um alimento cardioprotetor isolado.
5. Pimenta: quais os benefícios: os efeitos metabólicos ainda precisam ser interpretados com cautela
Outro possível benefício envolve colesterol, glicemia e outros marcadores metabólicos.
Uma meta-análise de nove ensaios clínicos randomizados envolvendo pessoas com síndrome metabólica encontrou redução do colesterol total e LDL com capsaicina, mas não identificou efeitos significativos sobre triglicerídeos e HDL.
Quando analisamos glicemia, a história fica ainda mais cautelosa.
Uma revisão sistemática com 14 ensaios não encontrou efeitos significativos da suplementação prolongada de capsaicina sobre glicemia ou insulina de jejum.
Isso mostra por que afirmações como “pimenta controla a glicose” ou “pimenta reduz o colesterol” são amplas demais.
Existem sinais potencialmente favoráveis, mas os resultados variam conforme o desfecho estudado.
6. Capsaicina também é estudada para o controle da dor
Aqui existe uma diferença importante: estamos falando principalmente de capsaicina aplicada topicamente, e não simplesmente de comer pimenta.
Produtos contendo capsaicina são estudados para determinadas condições dolorosas.
Uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos sobre osteoartrite encontrou redução da intensidade da dor com capsaicina tópica em comparação ao placebo, embora a certeza das evidências tenha sido considerada baixa ou muito baixa e ardência local tenha sido mais frequente.
Revisões anteriores também encontraram benefício em algumas condições de dor neuropática e musculoesquelética.
Portanto, não devemos confundir o uso terapêutico de formulações específicas de capsaicina com o consumo alimentar de pimenta.
Afinal, pimenta faz bem para a saúde?
Para quem tolera bem, a pimenta pode fazer parte de uma alimentação saudável e trazer sabor sem depender exclusivamente de grandes quantidades de sal, açúcar ou molhos muito calóricos.
Os estudos sobre os benefícios da pimenta sugerem possíveis efeitos sobre gasto energético, apetite e alguns marcadores cardiometabólicos. Estudos observacionais também encontraram associações interessantes com menor mortalidade.
Mas a ciência não sustenta a ideia de que pimenta seja um “queimador de gordura”, previna doenças sozinha ou compense uma alimentação inadequada.
Também não existe uma quantidade universal que todas as pessoas devam consumir para obter benefícios.
A pimenta pode ser um ingrediente interessante dentro de uma alimentação saudável. O erro começa quando transformamos um alimento em medicamento ou solução milagrosa.
Referências científicas
- Whiting S et al. The effects of capsaicin and capsiate on energy balance. Chemical Senses, 2012.
- Kaur M et al. Association of spicy chilli food consumption with cardiovascular and all-cause mortality. Angiology, 2021.
- Foshati S et al. Effects of capsaicin supplementation on glycemic control. Food & Function, 2021.
- Wang X et al. Lipid-lowering efficacy of capsaicin in patients with metabolic syndrome. Frontiers in Nutrition, 2022.
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