Gelo ou calor para aliviar a dor: quando usar cada um?

Gelo ou calor para aliviar a dor: quando usar cada um?

Gelo ou calor para aliviar a dor: quando usar cada um?

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Meta descrição: Gelo ou calor para aliviar a dor? Entenda quando cada recurso pode ajudar em dores musculares, lesões e dor lombar e quais são suas limitações.

Gelo ou calor: qual é melhor para aliviar a dor?

Gelo ou calor? Essa é uma das dúvidas mais comuns quando aparece uma dor muscular, uma lesão ou dor nas costas. Mas existe uma resposta certa?

A resposta é: depende da situação.

Durante o Conexão Saúde, o quiropraxista Filipe de Oliveira Gonçalves explicou que a escolha entre frio e calor deve considerar o quadro apresentado, o momento da dor e o objetivo do tratamento.

Isso porque gelo e calor provocam efeitos diferentes no organismo — e nenhum deles deve ser tratado como uma solução universal.

Quando usar gelo?

O uso terapêutico do frio é conhecido como crioterapia. A redução da temperatura dos tecidos provoca alterações fisiológicas que podem contribuir para diminuir a dor, reduzir temporariamente o fluxo sanguíneo local e auxiliar no controle de alguns sintomas associados a determinadas condições musculoesqueléticas.

Por isso, o gelo é frequentemente utilizado após traumas e em situações envolvendo dor e edema.

Mas aquela velha regra de que “machucou, coloca gelo” merece cautela.

Revisões científicas mostram resultados positivos da crioterapia em diferentes condições musculoesqueléticas, porém a qualidade e a certeza das evidências variam conforme o problema analisado. Além disso, ainda não existe um único protocolo de temperatura, duração e frequência adequado para todas as lesões.

Portanto, gelo pode ser útil, mas não é automaticamente a melhor escolha para toda dor ou lesão.

Quando usar calor?

O calor produz outros efeitos. Ele pode aumentar o fluxo sanguíneo local, modificar propriedades dos tecidos e proporcionar alívio da dor e sensação de relaxamento.

Revisões científicas encontraram efeitos positivos da aplicação local de calor sobre diferentes desfechos musculoesqueléticos, incluindo dor, função física e amplitude de movimento em determinados contextos.

Na prática, algumas pessoas sentem que o calor reduz a sensação de rigidez e torna o movimento mais confortável.

Mas, assim como acontece com o gelo, sentir alívio não significa necessariamente que a causa da dor foi tratada.

Para dor lombar é melhor gelo ou calor?

Aqui temos um exemplo interessante.

Uma revisão Cochrane envolvendo nove estudos e 1.117 participantes encontrou evidências moderadas de que o calor superficial pode proporcionar uma pequena redução de curto prazo na dor e incapacidade em pessoas com dor lombar aguda ou subaguda.

O American College of Physicians (ACP) também inclui o calor superficial entre as opções não farmacológicas para adultos com dor lombar aguda ou subaguda.

Isso não significa, entretanto, que qualquer dor nas costas deva ser tratada com calor.

A própria revisão Cochrane encontrou evidências insuficientes para determinar adequadamente a eficácia do frio na dor lombar e resultados conflitantes nas comparações diretas entre calor e frio.

Afinal, gelo ou calor?

Em vez de decorar simplesmente “gelo para lesão e calor para dor”, é melhor compreender que a decisão depende de diferentes fatores.

Entre eles estão a causa da dor, região afetada, fase da lesão, presença de edema, intensidade dos sintomas e objetivo da aplicação.

Em algumas situações, o frio pode auxiliar no controle da dor e do inchaço. Em outras, o calor pode proporcionar maior conforto e facilitar o movimento.

E existem situações em que nenhum dos dois representa o tratamento principal.

Gelo e calor tratam a causa da dor?

Esse talvez seja o ponto mais importante.

Gelo e calor são frequentemente utilizados como recursos para controle de sintomas.

Uma bolsa quente pode proporcionar alívio. O gelo também pode reduzir temporariamente a percepção dolorosa. Mas a melhora momentânea não significa necessariamente que o problema responsável pela dor tenha sido resolvido.

Por exemplo, uma dor recorrente pode estar relacionada a diferentes condições musculoesqueléticas ou outras causas que precisam ser investigadas.

Por isso, quando a dor é persistente, intensa, recorrente ou acompanhada de outros sintomas, simplesmente alternar entre gelo e calor pode atrasar uma avaliação necessária.

Cuidado também com a aplicação

Outro erro é pensar que, se um pouco ajuda, uma aplicação mais intensa será ainda melhor.

Tanto frio quanto calor precisam ser utilizados com cuidado. Temperaturas extremas ou exposição inadequada podem causar lesões na pele e nos tecidos.

Pessoas com alterações de sensibilidade, circulação comprometida ou determinadas condições clínicas precisam de atenção especial antes de utilizar esses recursos.

O mais importante é descobrir por que está doendo

Talvez a pergunta “gelo ou calor?” esteja incompleta.

Uma pergunta mais útil seria:

“Qual é a causa dessa dor e o que estamos tentando conseguir com a aplicação?”

Como explicou Filipe de Oliveira Gonçalves durante o Conexão Saúde, uma avaliação profissional pode ajudar a identificar a origem do problema e definir quais estratégias fazem sentido para cada caso.

Conclusão: gelo ou calor depende da situação

Não existe uma regra universal dizendo que gelo serve para toda lesão e calor para toda dor muscular.

Os dois podem ser ferramentas úteis para aliviar sintomas quando bem indicados. A escolha depende do quadro, da fase da lesão, dos sintomas e do objetivo.

Portanto, da próxima vez que surgir a dúvida entre gelo e calor, lembre-se:

mais importante do que escolher a temperatura é entender por que está doendo.

Quando a dor persiste, piora, é muito intensa, torna-se recorrente ou aparece acompanhada de outros sintomas, é importante procurar avaliação profissional.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação individualizada por um profissional de saúde.

Referências científicas

  • French SD, et al. Superficial heat or cold for low back pain. Cochrane Database of Systematic Reviews.
  • Qaseem A, et al. Noninvasive Treatments for Acute, Subacute, and Chronic Low Back Pain: A Clinical Practice Guideline From the American College of Physicians. Annals of Internal Medicine.
  • Hultenheim Klintberg I, Larsson MEH. Evidências sobre crioterapia em condições musculoesqueléticas: revisão sistemática.
  • Revisão sistemática sobre crioterapia em lesões agudas de tecidos moles.
  • Revisão sistemática e meta-análise sobre aplicação local de calor em condições musculoesqueléticas

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